A Liderança Madura e as Lições das Variáveis Inesperadas
- Wanderléa Trajano

- 23 de out. de 2024
- 2 min de leitura

Muitos de nós, líderes, temos a prática de fazer planos tanto a curto quanto a longo prazo. Seja ao implantar um processo estratégico, desenvolver metas para a equipe, ou elaborar um planejamento orçamentário para o departamento ou para toda a empresa, há sempre a expectativa de que as ações sigam o caminho traçado. No curto prazo, um simples alinhamento em uma reunião rápida parece ser uma forma eficaz de manter o ritmo, mas a realidade nos lembra que, nem sempre, as coisas saem conforme planejado.
O imprevisto é parte inerente da liderança. Variáveis inesperadas aparecem no meio do caminho, muitas vezes nos pegando de surpresa. Situações que, à primeira vista, parecem malfazejas, nos desafiam a ponto de nos deixar com a sensação de impotência. E essa sensação pode se estender à equipe, gerando frustração e, em alguns casos, diminuindo o ímpeto de alcançar os objetivos traçados.
Esse tipo de circunstância revela muito sobre a maturidade de um líder. Enfrentar essas variáveis, que parecem nos desviar da rota, não significa que nossos projetos estejam condenados ao fracasso. Pelo contrário, é uma oportunidade para desenvolvermos uma visão mais abrangente e flexível. Como líderes, precisamos reconhecer que, muitas vezes, aquilo que parece ser obra do "lábio iníquo" — isto é, algo que surge para nos prejudicar — na verdade, pode ser um momento valioso para reavaliarmos o que precisa ser ajustado.
A estultícia de um líder reside em acreditar que o controle absoluto é possível. Assim como diz o provérbio, “O preço da mão do tolo para comprar sabedoria é alto, visto que ele não tem entendimento”. Ou seja, o tolo busca a solução sem compreender a profundidade da situação. O verdadeiro líder, por outro lado, entende que o aprendizado contínuo faz parte do processo e que a sabedoria não pode ser comprada ou forçada, mas sim cultivada ao longo das experiências, inclusive nos momentos de crise.
A chave está em ajustar a trajetória quando necessário. Não se trata de desistir dos objetivos, mas de aprender a refazer o curso. Em meio aos desafios, é possível alinhar o que ainda não foi alinhado, colocar os eixos de volta na linha e seguir adiante com uma visão mais clara. Assim, a frustração dá lugar à resiliência, e a impotência se transforma em ação estratégica.
A liderança de valor é aquela que compreende que o planejamento é um ponto de partida, não um destino final. As variáveis inesperadas são lembretes constantes de que a sabedoria vem não apenas da realização dos nossos planos, mas também da nossa capacidade de recalibrá-los com inteligência e maturidade.








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